Tiago Madeira Inferências aleatórias de um cérebro em versão alpha

"Só se dedicará a um assunto com toda a seriedade alguém que esteja envolvido de modo imediato e que se ocupe dele com amor. É sempre de tais pessoas, e não dos assalariados, que vêm as grandes descobertas."
(Arthur Schopenhauer)

Arquivo do ano: 2007

02/12/2007

Economia de 9 megabytes no banco de dados

Trago aqui nessa postagem um conhecimento completamente inútil, mas inédito: o ENEM não tem um campo de senha de acesso na tabela de participantes da prova no seu banco de dados. Com isso ele economiza 9 mb e em troca um monte de gente fica feliz "hackeando" seu sistema.

Vejam: a senha tem oito dígitos.
2^26 = 67108864 é o maior número de oito dígitos feito a partir de potências de dois.

Ou seja, se o banco de dados tivesse este campo senha, seriam gastos 26 bits a mais para cada um dos milhões de participantes. Segundo a página inicial deles, foram 2.738.610 pessoas que fizeram a prova, o que significa que seriam mais...

26/8 * 2738610 / (1024*1024) = 8.488 megabytes

(dividi por oito para converter de bit pra byte, multipliquei pelo número de participantes e dividi por 1024 ao quadrado para ter o resultado em megabytes)

Ao invés de gerar um inteiro aleatório (a solução mais óbvia, na minha opinião), eles trabalham com um algoritmo muito simples: o número de inscrição é no formato 2007.ABCDEFG-H, onde as letras são algarismos de 0 a 9. Os algarismos da senha são: 9-E F 9-G H 9-A B 9-C D.

É só. Ou, para rubeiros:

puts "Digite seu número de inscrição e pressione 'Enter'."
a=gets.gsub(/^2007/, '').gsub(/[^0-9]*/, '').split('')
puts "#{9-a[4].to_i}#{a[5]}#{9-a[6].to_i}#{a[7]}#{9-a[0].to_i}#{a[1]}#{9-a[2].to_i}#{a[3]}"

Exemplo prático: meu número de inscrição é 2007.3210403-6 e minha senha é 50666280.

Nunca trabalhei num sistema com tantos cadastrados, mas quero saber das pessoas mais capacitadas que lêem esse humilde blog: vale a pena fazer essa economia de alguns megabytes e em troca ingenuamente deixar as pessoas saberem das senhas umas das outras? IMHO, até que alguém me convença do contrário, isso não é boa programação.

PS: Não fui eu que descobri isso, mas acho que eu fui o primeiro a compartilhar essa descoberta dessa maneira. Quem descobriu foi um cara que divulgou um binário de Windows aqui. Eu emulei via Wine e fui simplesmente adicionando e subtraindo dos algarismos pra chegar a essa conclusão óbvia.

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30/11/2007

eRuby na Dreamhost

Depois de várias tentativas sem sucesso, enfim consegui rodar o eruby na Dreamhost. A solução foi compilar o source no servidor (via SSH), copiar o binário eruby para eruby.cgi dentro da pasta do domínio e escrever:

DirectoryIndex index.rhtml index.html index.htm
AddHandler rubypage .rhtml
Action rubypage /eruby.cgi

... no .htaccess na raiz do domínio.

A confusão aconteceu por causa de algum defeito no /usr/bin/eruby padrão da Dreamhost. Agora o servidor já está erubyado. :)

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29/11/2007

Utilizando Ruby, ruby-dbus e librmpd para exibir “o que estou ouvindo” no Pidgin (Gaim)

Ok, acho que vocês já devem ter percebido que virou moda desde que ressucitei este blog usar uns títulos enormes cheios de nomes estranhos e só falar de Ruby. Bem... a descoberta de uma linguagem nova e seu estudo são sempre fascinantes, ainda mais com algo maravilhoso como o Ruby... é apaixonante. :)

Pra começo de conversa, esse post se propõe a criar um programa em Ruby que mostre a música que você está ouvindo no MPD (Music Player Daemon) no Pidgin. Não sei se a situação é comum, mas é a minha situação e não tinha encontrado outra solução antes, o que me levou a criar um script rubyano.

Para falar com o Pidgin, precisaremos de DBus. DBus é uma maneira inovadora de fazer dois ou mais programas se comunicarem. O HAL (Hardware Abstraction Layer - você provavelmente usa ele e não sabe) usa para fazer aquelas mágicas de montagem e desmontagem automáticas nas distribuições mais novas (inclusive no Slackware 12, e o Slackware tem fama de malvadão) e o Pidgin (nova versão do Gaim) também, para fazer quase tudo. Para acessar o DBus a partir do Ruby, usamos o ruby-dbus. É um projeto em desenvolvimento, que tem alguns bugs, mas nesse caso funciona como esperado.

Para falar com o MPD, precisaremos da libr(uby)mpd. É uma biblioteca extremamente simples de usar e vale a pena ler o código de sua classe pra descobrir suas várias funções e também conferir seus exemplos.

Instaladas essas duas coisas, lá vamos nós:

#!/usr/bin/ruby
 
# MPD2Pidgin (por Tiago Madeira em 29/11/2007)
# http://tiagomadeira.net/mpd2pidgin
#
# (cc) http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/2.5/
 
require "dbus"
require "rubygems"
require "librmpd"
 
class Pidgin2MPD
	def initialize
		@b=DBus::SessionBus.instance
		@s=@b.service("im.pidgin.purple.PurpleService")
		@o=@s.object("/im/pidgin/purple/PurpleObject")
		@o.introspect
		@i=@o["im.pidgin.purple.PurpleInterface"]
	end
 
	def change(msg)
		status=@i.PurpleSavedstatusFind("MPD2Pidgin").to_s.to_i
		if status==0
			@i.PurpleSavedstatusNew("MPD2Pidgin", 2)
			status=@i.PurpleSavedstatusFind("MPD2Pidgin").to_s.to_i
		end
		@i.PurpleSavedstatusSetMessage(status, msg)
		@i.PurpleSavedstatusActivate(status)
	end
end
 
class MPD2Pidgin
	def initialize(host="localhost", port="6600")
		@host,@port=host,port
		@mpd=MPD.new @host, @port
		@mpd.register_callback(self.method('callback'), MPD::CURRENT_SONG_CALLBACK)
	end
 
	def start
		@mpd.connect true
		puts "Ctrl+D para fechar"
		t=Thread.new do
			readlines
			self.stop
		end
		t.join
	end
 
	def stop
		@mpd.disconnect
	end
 
	def callback(c)
		@current=c
		msg="♫ #{@current.title} - #{@current.artist}" # Personalize essa linha, é divertido.
		if !@pidgin
			@pidgin=Pidgin2MPD.new
		end
		@pidgin.change msg
	end
end
 
mpd=MPD2Pidgin.new # "127.0.0.1", "6600" # os argumentos são host e porta, para quem precisar
mpd.start

Download: mpd2pidgin.rb

Screenshot: MPD2Pidgin (screenshot)

Não é brilhante? Só mandar rodar (salve em /usr/bin/mpd2pidgin pra facilitar) e ele mantém sua mensagem de exibição atualizada em todos os protocolos do Pidgin simultaneamente sem nenhum esforço. Qualquer dúvida, comentem.

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